Deixei de ser vegetariana! Traí o movimento?

 

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Eu sempre amei animais. Desde criança tinha interesse em aprender cada vez mais sobre eles – pedia de Natal aquelas enciclopédias sobre animais, Animal Planet era meu canal favorito e os brinquedos que eu mais brincava eram animaizinhos de pelúcia.

Tive bichinhos de estimação. Tive um peixe, quatro tartaruguinhas, uma taturana (longa história) e três gatos. Essa proximidade só fez com que eu gostasse mais e mais de animais, e eu achava que precisava ajuda-los de algum jeito.

Minha primeira profissão dos sonhos era veterinária. Mudei de ideia quando descobri que eu teria que ver sangue e dissecar animais na faculdade – tenho pavor a sangue!

Minha próxima alternativa foi militar contra o uso de animais como roupas – algo que sigo fielmente até hoje, recusando-me a vestir couro ou peles. Não satisfeita, com 11 anos coloquei na minha cabeça que precisava ser vegetariana.

Fiquei insistindo para que meus pais me deixassem ser vegetariana. Eles, claro, não deixaram – o que foi responsável, já que eles não sabem seguir uma dieta vegetariana e eu ainda estava em fase de desenvolvimento.

Até que com 15 anos minha mãe me levou ao endocrinologista e fiz uma série de exames. Ele disse que eu estava em condições de seguir a dieta vegetariana, mas deveria realizar os exames novamente seis meses mais tarde.

Saí super feliz do consultório, espalhei a notícia para todas as amigas. Parecia que eu tinha conquistado algo, sendo que, olhando friamente, é só uma dieta.

Tudo bem. Seis meses se passaram e eu segui a dieta fielmente, passando por INÚMERAS provocações de várias pessoas imbecis e desocupadas. Eu me orgulhava de ser vegetariana e de não sentir mais vontade de comer carne – isso realmente aconteceu!

Porém, os exames mostraram que eu estava com princípio de anemia. Eu não sou médica e muito menos parei pra pesquisar sobre o assunto antes de escrever isso aqui. Podia ser parte da adaptação do meu corpo? Talvez. Podia ser porque eu não estava substituindo direitinho as vitaminas que eu recebia quando comia carne? PROVAVELMENTE.

Pois é, esqueci de mencionar que, apesar de eu ser uma fofa lutando pela vida dos animais, eu era uma adolescente irresponsável e cheia de frescuras pra comer. Eu sempre gostei muito da maioria das verduras, dos legumes e das frutas, mas eu sinceramente não acho que como o suficiente para ser saudável. Imagine então a Marina de 15 anos, que não media consequências.

Tomei o maior sermão do médico e dos meus pais. Fiz o que toda adolescente revoltada e com hormônios à flor da pele faria: fiquei chorando pras amigas e dizendo que ninguém me entende, que as pessoas são egoístas, etc.

Marina, foi aí que você deixou de ser vegetariana? Pois é, eu mencionei que sou teimosa como uma mula? Não deixei de ser vegetariana. Precisei tomar suplementos de Ferro por anos, foi isso que aconteceu.

Com 19 anos eu comecei a trabalhar. Nossa, mas o que isso tem a ver? No meu primeiro estágio, eu ganhava R$ 10,00 de Vale Refeição por dia. Se você mora em São Paulo e já foi almoçar na região do Itaim, sabe que não dá pra ser tão seletivo com a comida. Sinceramente, só de morar em São Paulo você já sabe disso, não precisa estar em uma região mais cara.

Voltei a comer peixe. Voltei a comer frango. Eu gostei. Um ano atrás não aguentei e voltei a comer carne vermelha. Gostei bastante.

Se eu quero ser vegetariana outra vez? Por mim eu seria agora, de verdade. Porém, eu não acho que um dia eu vou conseguir ser novamente.

Preciso ser sincera comigo mesma. Antes eu não sentia vontade de comer carne, então foi muito fácil manter a dieta. Hoje em dia eu gosto, e consumo quase todos os dias. Vai ser difícil.

Outro problema: eu não sei me alimentar direito. Isso é algo que eu vou ter que fazer ainda – por mim, queridinhas. Se eu corto algo da minha alimentação, já é certeza que vai ter vitamina faltando no meu corpo.

Eu concordo com o vegetarianismo. Sei que os matadouros são desnecessariamente cruéis ao executar os bichinhos. Também sei do impacto ambiental em comer carne – desmatamento e utilização de QUANTIDADES ABSURDAS (berrante assim) de água no processo. Eu sei que o mais correto seria o vegetarianismo.

Podem me julgar egoísta, preguiçosa… Eu sei que sou. Eu tive uma conhecida (uma antiga amiga) que me julgou quando tomei a decisão. Disse que traí o movimento e o caramba. Do mesmo jeito que eu não fico dando pitaco na alimentação dos outros, gostaria de não ter que levar.

Em 2017 eu quero colocar em prática o Meet Free Monday, uma ideia do Paul McCartney de não consumir carne pelo menos uma vez por semana. Pode parecer que não, mas fazer isso causa impacto positivo SIM, amigues.

Eu queria dizer que você precisa ser responsável consigo mesma(o) antes de tomar algumas decisões. Você precisa ser responsável, saber se é isso mesmo que quer – se não é pressão externa, por exemplo. E PELO AMOR DE DEUS, peça ajuda a um profissional e faça acompanhamento! Isso não só para vegetarianismo, mas pra quem quer ser fitness – como eu gostaria de ser – ou qualquer estilo de alimentação que pretende seguir.

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Minha avó roubou o namoradinho da amiga!

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Para ler ouvindo Bad Blood, da Taylor Swift – porque a zoeira never ends.

 

Eu sempre contei histórias inacreditáveis – porém, reais. Acho que é mal de família, pois meus parentes têm histórias tão incríveis que arrancam risadas em todo rolê com amigas.

Minha avó é uma figura um tanto excêntrica. Sagitariana, gosta de ser a palhaça da turma. Suas histórias não costumam falhar, e tem uma em particular que sempre me causa um misto de indignação com divertimento.

Ela teve seu primeiro namorado aos 14 anos, e não sossegou com um até conhecer meu avô. Foram uns 9 anos trocando rapazes.

Um desses rapazes era namorado de sua amiga – algo inocente, mas na época se dá importância. Minha avó pedalava com a tal amiga quando, de repente, a menina derrapou com a bicicleta em uma espécie de barranco.

Muy amiga, minha avó não só deixou de prestar socorro como foi encontrar o namorado, que esperava encontrar sua amada. Lá, o rapaz se queixava que a garota nem apareceu, etc. Nisso, minha avó disse que gostava dele e ele a correspondeu.

Forma-se um casal.

Não contente, vovó foi visitar a amiga no hospital, que quebrou o braço:

– Ele gosta de mim e eu gosto dele. Agora eu sou a namorada dele.

Até hoje me impressiona a naturalidade com a qual minha avó conta certas histórias.

O mundo dá voltas.

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Para ler ouvindo I’ve Got My Mind Set On You, de George Harrison.

            Eu tenho lido livros juvenis – mas completei 22 anos três meses atrás. Foram pelo menos cinco no último mês. Fiquei surpresa por esses livros me prenderem tanto. Três anos cursando Letras na faculdade me deixaram um tanto pedante para literatura. Era um clássico atrás do outro… E o erro de ignorar o que pessoas seis anos mais jovens que eu têm lido.

            Devorei os livros com inesperado prazer. Ainda mais inesperado que o prazer foi o sentimento esquecido ao longo dos anos: a paixão. Os adultos amam, não se enganem. Mas as paixões da adolescência são um caso à parte. Poucas coisas são tão intensas como se apaixonar durante a puberdade.

            Não era só amar alguém. Era amar ídolos incondicionalmente também. Estes livros me trouxeram as sensações que eu não lembrava. Aquela dor, que os adultos tanto prometiam que iria passar, passou. Eu duvidei, mas passou.

            E passou rápido demais.

            Hoje minha vida está bem diferente – e bem melhor. É mentira quando dizem que os anos de escola serão os melhores de sua vida. A faculdade não é o paraíso também, mas estudar aquilo que gosta melhora quase tudo. Você também é maior de idade e ganha maior independência.

            As preocupações começam a ser financeiras, e lá se vai toda aquela energia que você tinha para sofrer por um amor não correspondido ou por seus ídolos. Os problemas serão outros.

            Ocorreu-me uma epifania domingo passado. Estava deitada na cama com meu namorado. Ouvíamos o rádio – uma das coisas mais vintage que se pode fazer em 2016. Começou uma batida que me era familiar. Algo que eu lembro de ter ouvido muito aos 16, 17 anos.

            Horas mais tarde, lembrei de duas paixões que senti na época. The Beatles, antes de tudo. Eram minha paixão incondicional! Eu os escutava todos os dias e cheguei a escrever dezenas de fanfics sobre a banda. Menos forte, a paixão que senti por um rapaz.

            Nos conhecemos por causa da nossa idolatria em comum pelos Beatles – e é estranho pensar que alguém mais velho que eu, que vivia parte do que vivo hoje, idolatrava alguém da mesma forma que eu conseguia.

            É estranho pensar que a segunda paixão me tomou dois anos. Não tivemos nada – nada sério. Tivemos cenas dignas de um filme chato, como a vez que ele me deu carona dizendo “agora que você vai fazer 18 anos, precisa ganhar um carro”.

            Passamos horas discutindo músicas dos Beatles sem saber seu significado, e talvez nenhuma banda represente melhor a imbecilidade de se dizer apaixonado aos 16 anos. Eu tinha muito mais a necessidade de amar do que entender quais eram meus sentimentos pela pessoa, e talvez ele sentisse o mesmo.

            Os dois foram egoístas, como só os jovens mimados podem ser. Eu ainda tinha a desculpa de estar na escola, de não ter experiência de vida. Nunca vou saber qual desculpa ele poderia me dar – pois posso dizer que amadureci muito depois que fui pra faculdade e comecei a trabalhar.

            Quando nossa história acabou, pensei que sentiria vontade de lhe ligar no meu aniversário de 18 anos dizendo o quão feliz eu estava sem um carro. Mas eu nunca senti essa vontade.

            A verdade é que a música tocou na rádio, e eu não conseguia me lembrar por que a música teve tanta importância um dia. Abraçada com meu namorado, alguém com quem eu definitivamente não estou por necessidade – porque a gente amadurece e percebe que as coisas só valem a pena se forem verdadeiras, porque a vida é curta –, só consegui em como a música faz sentido hoje em dia.

            Amar alguém se torna mais lógico, felizmente. É bom estar com alguém e ter objetivos – e saber do que precisa para alcança-los.

            Na minha visão inocente de 16 anos, eu não entendia como um casal podia precisar de “time” e “money”. Domingo, dando um ao outro a pele de abrigo, só conseguia me sentir feliz por estar com ele. Parecia que, estando juntos, não ia ser tão difícil conseguir o “time” e “money” necessários para construirmos algo ainda maior – e melhor.

            Crescer é finalmente bom.